domingo, 8 de novembro de 2015

Faixa Etária, Propaganda Infântil e Dialogo Familiar.



Não faz muito que estava sendo discutido o assunto sobre propagandas infantis, o foco dessa discussão era regular, ou até mesmo proibir propagandas para crianças, enfim essa onda passou, mas infelizmente quando ela passou levou quase todo o horário infantil que era reservado na TV aberta junto com ela, infelizmente nessas horas os defensores da família não aparecem para proteger as crianças que aparentemente vão ter que ficar vendo a novela das nove.

Daí me vem outro grupinho de gente que não sabe educar seus e filhos e solta “Nesse jogo aí tem muita violência”, só um adendo, a classificação indicativa de jogos violentos geralmente é +17 ou +16, então papai que tem filho de 10 anos jogando GTA e acha absurdo ele ficar matando prostituta na beira da estrada, bom... Realmente é absurdo, porque esse jogo não deveria nem estar nas mãos do seu filhinho. Outra pérola que esse tipo de pessoa solta é “Se meu filho vir dois homens se beijando ele vai virar gay”, não querido, seu filhote não vai virar gay por ver dois homens se beijando, lembre-se que todo gay cresceu vendo héteros se beijarem e isso não fez com que ele mudasse o gosto dele, então eu acho melhor você repensar esse conceito, afinal os LGBT’s só aparecem na TV porque eles existem e a TV, apesar de ser muito manipuladora diversas vezes, tem a função de espelhar a realidade, então se você pensa que vai criar o seu querido filho em uma redoma de vidro, está muito enganado. 

Agora vamos ao ponto chave da situação, o que vem acontecendo é que nós estamos crescendo em uma sociedade que super protege demais as crianças, os pais preferem que algo seja apagado do universo a ter que educar o seu filho para conviver com essas coisas, o caso mais óbvio disso fica por conta das propagandas, a criança está crescendo em mundo capitalista, onde a propaganda é a alma do negócio, mas em vez dos pais aprenderem a educar os seus filhos com o “não”, eles preferem remover as propagandas, mas o que eles não percebem é que eles estão simplesmente adiando essas questões, se a criança não souber o que é receber um não por um carrinho aos seis anos ela vai receber um não por aquela jaqueta cara que o pai não pode pagar aos quinze.

Sobre os jogos violentos, como eu já disse ali em cima, as crianças não são os alvos desse tipo jogo, mas mesmo assim muito pai faz o carnaval cada vez que um shooter é lançado, mas no café da tarde está assistindo o Cidade Alerta com os filhos, porque o que acontece é que na realidade existe violência e por mais que você evite, isso uma hora vai chegar aos olhos do seu filho.

Ok, então você pai ficou sem alternativas? Libera tudo e acabou? Não, não é bem assim, o que você pode fazer na sua casa é mascarar o problema, fazer escândalo cada vez que alguns desses assuntos forem levantados e deixar o seu filho aprender as coisas com os amigos, infelizmente muitas das famílias ainda escolhem essa opção. Ou então você pode criar os seus filhos em uma casa moderna onde eles se sintam seguros para falar com os pais deles sobre tudo, aprendam que a vida não é feita apenas de “sim” e aprendam os valores de um bom cidadão, valores esses que não serão tão frágeis a ponto de na primeira cena de morte que ele ver, você ficar com medo dele virar um homicida. 

Em uma família onde o dialogo existe os pais não têm medo de possíveis más influências, até porque antes de um pai sair ditando pela casa o que o seu filho deve ou não fazer, primeiro ele precisa aprender a escutar os problemas de seu filho, mesmo que para muitos isso seja “coisa da idade, vai passar”, retirar esses dois minutos do seu dia pode te poupar uma enorme dor de cabeça, até porque quando um filho percebe que um pai escuta, se preocupa e compreende o que ele está passando ele passa a confiar e respeitar e não a temer o seu pai. Infelizmente na história da humanidade quase sempre foi vendida a imagem do pai autoritário, que os filhos temem, e o pior é que nos dias de hoje ainda existem homens e até mulheres que aprovam essa imagem como o modelo ideal, gente respeito e temor são duas coisas totalmente diferentes, um filho que tem medo do seu pai, jamais vai conseguir ter uma relação sincera com ele. 

Bom, essa é a minha opinião sobre esses temas que algumas pessoas consideram polêmicos, mas tenho percebido que principalmente a juventude está com a cabeça muito aberta, isso ficou bem claro com a repercussão super positiva que o tema da redação ENEM teve, à violência contra a mulher se inseriu de maneira muito natural na roda de conversa dos adolescentes, e quando um assunto como esse é tratado de maneira tão natural à gente percebe que mesmo a passos lentos a sociedade está sim tendo um avanço.