sexta-feira, 20 de novembro de 2015

Quem é esse tal de Freud?


Aposto que muita gente já deve ter ouvido falar sobre psicanálise, mas não tem a mínima ideia do que é, muito menos de onde surgiu. Por esse motivo resolvi trazer para o blog um pouco sobre esse assunto, ainda mais pelo fato de que a psicanálise abre um leque enorme de assuntos que podem ser abordados em outros posts, pelo fato de que a psicanálise está ligada diretamente ao "Eu" reprimido, estando relacionada diversas vezes a sexualidade e aos sonhos.

Freud contribuiu de maneira significativa para a psicologia no século XIX com a psicanálise, estudo sobre o inconsciente humano que ajudou a desvendar não apenas psicopatologias, mas também a própria humanidade, levantando questões e hipóteses que não haviam sido consideradas anteriormente. Freud não manteve a medicina presa apenas em conceitos técnicos, buscou também analogias na filosofia, característica que marcou, por exemplo, um de seus trabalhos mais populares, o Complexo de Édipo.

 
O criador da psicanálise Sigmund Freud, nascido em 1856. Era filho de um comerciante, Jacob Freud e de sua segunda esposa, bem mais jovem, Amália Nathanson. Formado na Universidade de Viena, seguiu primeiro o caminho da filosofia, algo que mais tarde auxiliaria o desenvolvimento de sua produção teórica, depois partiu para o campo da medicina onde se especializou em Fisiologia Nervosa.
  
Psicanálise é um tratamento psiquiátrico com intuito de auxiliar o tratamento de desequilíbrios psíquicos com base no inconsciente, uma área da mente humana onde são armazenados desejos íntimos, muitas vezes relacionados à sexualidade, isso se deve provavelmente a cultura ocidental judaica cristã que condena a sexualidade fazendo com que esses desejos fiquem sufocados, podendo assim gerar distúrbios físicos e psíquicos.

Durante o seu trabalho como médico interno no Hospital Geral de Viena, conhece Josef Breuer, o qual tratava de uma paciente chamada Bertha Pappenheim, que era considerada depressiva e hipocondríaca, distúrbios que na época eram conhecidos como histeria. Sob hipnose, ela revelava ao Dr. Breuer eventos de sua infância, o que lhe provocava uma melhora emocional significativa após o transe. Este caso influenciou significativamente os futuros trabalhos de Freud, apesar de ele abandonar a hipnose após descobrir a livre associação, continuou usando a fala como ferramenta fundamental em seus tratamentos e a reafirmação na sua crença nas motivações sexuais reprimidas, que provocariam os sintomas da histeria, pensamento que Breuer não compartilhava.

Após fracassar em tentativas de usar cocaína para efeitos terapêuticos, Freud vai para a França onde tem contato com o psiquiatra francês, Charcot que trabalhava no Hospital Psiquiátrico de Saltpêtriére, o qual também estudava a histeria. Após esse período ao lado de Charcot, Freud volta para Viena onde começa a tratar casos de histeria, principalmente em jovens senhoras judias. Seus métodos não eram bem aceitos na Viena da época, por esse motivo Freud tinha uma reputação marginalizada. Seu único parceiro nesse período é Wilhelm Fliess.

Em 1900, Freud publicou sua obra Die Treumdeutung (A Interpretação dos Sonhos). Em seus textos, ele descreveu minuciosamente o trabalho dos sonhos, sua importância e utilização no processo analítico. Ele também afastou essa temática das crenças religiosas e culturais, as quais vinculavam o sonho a uma experiência premonitória e supersticiosa herdada da Antiguidade através do senso comum

 
Nessa obra Freud não fala apenas sobre psicopatologias, mas da própria psique, tratando de temas como o consciente, inconsciente e recalque o mecanismo através do qual o indivíduo tenta eliminar do seu consciente representações que considera inaceitáveis. É um processo ativo no qual o indivíduo tenta manter ao nível do inconsciente: emoções, desejos, lembranças ou afetos passíveis de entrarem em conflito com a visão que o sujeito tem de si mesmo ou na sua relação com o mundo.

Freud acreditava que a segunda infância tinha uma grande importância no desenvolvimento da sexualidade um indivíduo, segundo Freud é nessa fase em que a criança começa a distinguir os sexos, a partir de seus pais. Esse conceito ficou conhecido e batizado como Complexo de Édipo foi criado por Freud, porém descrito e batizado com a expressão “complexo” por Caril Jung.

Nesse conceito é descrito que normalmente a criança desenvolve uma atração pelo sexo oposto, e hostiliza ao mesmo tempo em que ama o seu adversário, a tendência é a menina se identificar com a mãe, desenvolvendo assim atitudes femininas, enquanto o garoto passa a se basear no modelo masculino, herdado do pai. Porém, quando o temor de ficar sem a posse daquele que ela hostiliza for maior do que tudo, pode ocorrer uma empatia com a pessoa do sexo oposto, gerando possivelmente no futuro atitudes homossexuais.

O complexo de Édipo permite que a criança parta do mundo dos instintos e dos impulsos para o universo cultural. Para que a criança possa reprimir sua energia sexual (libido), ela passa por um mecanismo simbólico de castração, ela oculta todos os sentimentos e os canaliza para o seu ingresso no âmbito social e na direção de parceiros que não se configuram para ela como um tabu. Assim, ela opta pelos valores da civilização e deixa para trás qualquer vestígio incestuoso, agora restrito ao seu inconsciente.

Fontes:
http://psicologado.com  
http://infoescola.com 
Associação Brasileira de Psicologia e Psicanálise