sábado, 6 de fevereiro de 2016

Automutilação



Primeiramente eu queria me desculpar pelo meu afastamento, sei que tenho um compromisso com o blog, mas ele não é rentável então eu ainda não tenho como me dedicar completamente a ele.

O assunto que eu vou trazer é um pouco polêmico, e sofre muitos ataques de quem certas vezes não conhece o problema, vou falar sobre automutilação. 

Hoje em dia quando falamos de automutilação as principais acusações são: “Quer chamar atenção!”, “Isso é coisa de viado!”, “Tem que ser muito idiota mesmo”, “Modinha emo”, entre outros. Eu senti a necessidade de falar exatamente pra combater esse estereótipo de querer chamar atenção. 


Um dos grandes problemas é tratar a automutilação como problema, quando na realidade ela é apenas um sintoma, tal como o alcoolismo, cigarro, drogas, na maior parte dos casos não são o real problema, as pessoas apenas utilizam desses artifícios para fugir da realidade em que se encontrem, logicamente toda a regra tem sua exceção.

Se automutilação é apenas um sintoma, qual poderia ser a causa desse sintoma? Diversos problemas psicológicos podem levar alguém a se cortar, desde depressão e bipolaridade, até transtorno de personalidade borderline, mas o que quase todos os pacientes dizem é que eles precisam encontrar uma maneira de exteriorizar essa dor, em alguns casos a automutilação ocorre, por exemplo, por falta de coragem de concretizar o ato suicida. 


 A automutilação também pode ocorrer em quem não tem, necessariamente, nenhum problema psicológico, certas vezes alguns problemas podem nos deixar sem saída, tão sem saída, tão fracos e sozinhos que a dor física passa a não significar tanta coisa. Nesses momentos muitas pessoas recorrem a drogas, sexo e álcool, por isso os bares, ruas e orfanatos estão cheios... Mas isso é assunto para outro texto. A questão é que não é porque você, ou alguém que você conhece se corta, que essa pessoa tem algum problema psicológico

Então o que você deve fazer se souber que seu filho, por exemplo, está se cortando? Encontrar a razão dos cortes, caso você dê uma bronca nele, ele vai continuar fazendo isso ou coisa pior, como partir para as drogas. 

Veja a história de uma menina que se cortava:
Meu nome é Alice, eu costumava ser a melhor aluna da sala, fui assim até mais ou menos a sétima série, quando eu comecei reparar naqueles filmes românticos sabe? Mas aí entrou um problema, eu de maneira nenhuma conseguia me identificar, ao menos não da maneira que as pessoas queriam para mim, quer dizer eu percebia que eu começava a reparar nas meninas, isso não podia estar acontecendo minha mãe é católica desde que nasceu, eu também era, meu mundo caiu, eu tentei ir pra igreja, mas sempre que esse assunto entrava em pauta eu me sentia particularmente acusada, julgada e sentia vontade de simplesmente sair correndo, sumir, fiquei em uma tristeza profunda por 4 anos, onde minhas médias escolares eram apenas o suficiente para que eu passasse de ano.


Passou esses anos, apesar de eu ainda temer minha família, a igreja, ou a maneira como as pessoas fossem me encarar dali para frente eu resolvi enfrentar meu pai e contar tudo para ele, na hora que eu contei ele começou a chorar descontroladamente, eu corri para meu quarto peguei minhas roupas e coloquei na mochila, estava certa de que seria expulsa, mas não, ele me trancou em casa, nem para escola eu tinha permissão para ir, ouvi as piores coisas que qualquer pessoa já ouviu, até de prostituta meu próprio pai me chamou, aqueles dias foram um inferno, que só estava começando, passado um mês, um amigo meu acionou a direção da escola e eu fui obrigada a voltar, meu pai me ofendeu mais uma vez, de vários nomes, que nem ousaria repetir. Passaram alguns meses e o assunto não se amaciou em casa, na verdade virou um tabu enorme, toda vez que ele tem oportunidade ainda me ataca, durante esses problemas roubei uma navalha de minha mãe e comecei a me cortar, não gosto da dor para dizer a verdade, mas ver o sangue escorrendo me fazia esquecer que minha relação com meu pai, que eu tanto amo, e que era tão próximo de mim jamais será a mesma, jamais vai ser igual, ele nunca vai me aceitar, ele mesmo disse, ele disse que prefere morrer a me ver nessa vida... Então é isso, ou eu me mato, ou ele se mata, basicamente foi a escolha que ele me deu, mas ainda não tenho coragem de fazer minha parte no acordo. Na minha família também ninguém sabe que me corto, não quero dar motivos para que eles digam que estou louca.

O nome foi mudado para preservar a identidade da colaboradora. 

Bom gente a questão é realmente essa, ninguém está em posição para julgar os atos de ninguém, todos sabemos que isso não é algo saudável, da mesma maneira que álcool não é. Então tentemos ser mais compreensivos com as pessoas, ninguém sabe pelo que elas passam. 


Nos vemos na próxima postagem.