quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

O Mesmo Preconceito de Sempre



Meu nome é Marcos, eu entrei na escola hoje e não fui muito bem tratado, algumas pessoas me olharam torto, pra dizer a verdade acho que só algumas meninas me trataram bem, no intervalo alguns colegas de classe ficaram gritando comigo, me chamaram de negro, favelado, pobre e outras coisas, só porque minha roupa não é de marca e minha pele é escura, quando eu era mais novo meu padrasto também não me aceitava muito bem por eu ser negro, toda vez que eu falava qualquer gíria, mesmo que alguma coisa simples do dia a dia como “mano” ele já me repreendia dizia que não era coisa de homem de bem.


Quando eu fui para a escola mais longe de casa tinha muitos amigos que não me julgavam, alguns eram negros, outros não, mas meu padrasto achava que eles eram má influência, sempre me dizia que essa gente não presta, ficava triste porque ele não tinha falado com nenhum deles nenhuma vez na vida, então finalmente quando eu arranjo amigos ele decide me mudar de escola.

Agora vamos olhar esse relato de outra maneira.

Meu nome é Marcos, eu entrei na escola hoje e não fui muito bem tratado, algumas pessoas me olharam torto, pra dizer a verdade acho que só algumas meninas me trataram bem, no intervalo alguns colegas de classe ficaram gritando comigo, me chamaram de viado, mulherzinha, bixa e outras coisas, só porque minha roupa era colorida e meu cabelo é alisado, quando eu era mais novo meu pai também não aceitava muito bem o fato de eu ser gay, toda vez que dizia qualquer coisa, mesmo que alguma coisa simples como “diva” ele já me repreendia, dizia que não era coisa de homem.


Quando eu fui para uma escola mais longe de casa tinha muitos amigos que não julgavam, alguns eram gays, bis, outros não, mas meu pai achava que eles eram má influência, sempre me dizia que essa gente não prestava, ficava triste porque ele não tinha falado com nenhum deles nenhuma vez na vida, então finalmente quando eu arranjo amigos ele decide me mudar de escola.

Esse é exatamente o mesmo relato de preconceito, mudou o alvo, mas a atitude é a mesma, se você tratou as duas histórias de maneira diferente você já sabe que você não tem “opinião” e sim preconceito. Tenho fé de que o preconceito racial seja menos aceito na sociedade nos dias de hoje, pode ser uma boa amostra de como a ignorância foi superada uma vez e pode ser superada novamente. Nenhuma forma de preconceito deve ser tratada com naturalidade, quem cala consente.

Por trás de cada piada com negros, gays e mulheres desmerecendo essas características existem anos de machismo e segregação dando risada.