quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

Você é Burro?



Não leitor, não se ofenda ainda, vou me explicar, o que acontece é que estamos vivendo um período repleto de pessoas burras, eu mesmo já fui um completo idiota, por sorte eventos da minha vida me levaram a observar o mundo “por fora da caixa” isso acabou me permitindo me colocar mais no lugar das outras pessoas.

O que é um ser humano burro? Um ser humano burro é um ser humano que não questiona, ele também não consegue ver o mundo com os olhos de outras pessoas e fazer uma reflexão. E aqui chegamos a um ponto interessante, o que vem a ser uma reflexão? Reflexão vem da palavra “reflexo”, então isso seria olhar para si mesmo, ou seja, se conscientizar do que você é e se julgar, podemos pensar então que uma pessoa burra é alguém incapaz de se avaliar, de questionar e de se colocar no lugar dos outros. 

Por que eu era burro? Infelizmente eu tenho que dizer que eu fui criado em uma família ultra religiosa e de mente fechada, ou seja, eu não podia questionar, encontramos aqui o primeiro sinal da burrice, depois disso quando eu era criança eu era o exemplo de criança insuportável, o queridinho da professora, o que acabou fazendo eu me colocar em um pedestal e o que ocorre quando você está em um pedestal, mesmo que imaginário? Você se acha melhor que os outros, e por me achar melhor que os outros eu não me avaliava e nem me julgava, a partir daí eu fui criado como alguém burro, até metade de minha adolescência, então fatores internos que prefiro não dizer me fizeram interagir com grupos de pessoas que eu jamais manteria contato normalmente, esse contato desfez totalmente o PRÉconceito que eu tinha sobre esses grupos e desconstruindo esses conceitos me libertou para que eu me avaliasse.

Perceberam aonde nós chegamos? Exatamente na ironia e maiêutica de Sócrates, para quem não conhece a ironia de Sócrates, vamos começar explicando que em grego, ironia significa interrogação, partindo daí matamos a nossa charada. Sócrates acreditava que “colocar interrogações” desconstruía conceitos, e foi exatamente por esse processo que eu passei em certo ponto de minha vida, após as interrogações serem colocadas e toda aquela superioridade e certeza imaginária serem desconstruídas cheguei ao ponto de maiêutica, em grego, maiêutica é uma palavra ligada ao parto, nesse contexto significava gerar minhas próprias ideias.


Conseguimos compreender até aqui que o maior erro do burro é a falsa superioridade, ao se colocar em um pedestal ele não se permite errar, mas só pelo fato dele não se permitir, não quer dizer que ele não erre, todos erramos, a diferença vem da maneira como lidamos com nossos erros, no caso do burro ele decidiu ignorar todos os erros de si próprio e projetá-los nas pessoas ao seu redor, preferencialmente as que mais se diferem dele e de seu grupo de convívio, vendo dessa maneira podemos encontrar várias figuras históricas burras como, por exemplo, Hitler e Stalin, até mesmo alguns dos dias de hoje tais como os membros de grupos extremistas e líderes ditatoriais, ou então simplesmente aquele seu vizinho machista, ou aquela garota que quando vê um rapaz negro na rua atravessa para a outra calçada. Nenhuma dessas pessoas que eu citei seria capaz de responder com clareza a perguntas para que justificassem seus preconceitos, por isso essas pessoas costumam se apegar a frases prontas, ou textos religiosos recortados e colados, sem a mínima análise de contexto histórico. 

Então um burro não tem recuperação? Acredito que qualquer pessoa tenha salvação, o grande problema é que ninguém pode obrigar ninguém a simplesmente deixar de ser burro, o passo inicial tem que partir da própria pessoa, é lógico que existem diversas situações em que as pessoas são arrancadas de suas cavernas e obrigadas a encarar a realidade, infelizmente mesmo quando isso ocorre alguns resultados continuam não sendo positivos, por exemplo, quando um adolescente se assume homossexual, bissexual ou transexual em uma família de extrema religiosidade eles se vêem presos a dois caminhos, tentar olhar para fora da caverna e compreender tudo o que ocorre no mundo, mesmo que na cabeça deles isso não exista, ou então, expulsar o filho da caverna. Quando entramos na questão da expulsão não se prendam a expulsão física, quando uma situação dessas ocorre é bem provável que ocorra uma “expulsão moral”, você não trás esses assuntos à tona e nós não perguntamos, dessa maneira todos conseguem ficar na zona de conforto, a parte triste é que em uma zona de conforto não ocorre avanços, muitas vezes o que ocorre é o distanciamento familiar, infelizmente. 


A conclusão desse tema é que o burro não é alguém incapaz de pensar, mas sim alguém que não se permite pensar, ele está confortável na vida dele, a parte infeliz é que o burro é tóxico, para ele estar bem uma enorme parcela da sociedade é segregada, por isso é importante sempre se questionar, certas vezes somos burros sem perceber, até porque nossa sociedade está cheia de burrice camuflada com nome de brincadeira. 

Bom gente, esse é o post de hoje, espero não ter falado muito, nos vemos em breve.