terça-feira, 26 de julho de 2016

Suícidio, um problema real!



- Esta queda para a qual você está caminhando é um tipo especial de queda, um tipo horrível. O homem que cai não consegue nem mesmo ouvir ou sentir o baque do seu corpo no fundo. Apenas cai e cai. A coisa toda se aplica aos homens que, num momento ou outro de suas vidas, procuram alguma coisa que seu próprio meio não lhes podia proporcionar. Ou que pensavam que seu próprio meio não lhes poderia proporcionar. Por isso, abandonam a busca. Abandonam a busca antes mesmo de começá-la de verdade.

Segundo o G1, o Brasil é o 8º país com mais suicídios no mundo, com uma média de 804 mil pessoas tirando suas próprias vidas todos os anos.

Todos os anos pessoas morrem por serem rejeitadas, envergonhadas, mal tratadas, privadas de esperança, todos os dias eles tentam pedir ajuda de alguma maneira e são negados, todos os dias, de alguma forma, somos responsáveis pela morte de alguém, mesmo que você não perceba. 

As pessoas são forçadas a acreditar que elas não fazem parte do resto, não podem conviver com os outros, ou então que não conseguiriam ser felizes o fazendo, simplesmente por serem como são. Essas pessoas são condicionadas a acreditar que talvez seja melhor parar de tentar, parar de gastar energia, tempo, e dinheiro com sua vida que já não vale tanto assim, nem para ela mesma nem para os outros. 

Qualquer pessoa que esteja passando por uma situação desse tipo é forçada a se esconder, esse tema não é bem vindo em salas de aula, igrejas, menos ainda em salas de jantar, onde chamam depressão de carência, bipolaridade de frescura, desesperança de falta de algo para fazer, e suicídio de pecado, essas pessoas ficam largadas a própria sorte, tentando se automedicar com músicas, ou textos previsíveis, como esse que vos fala, mas o tempo passa e a ferida aberta cada dia sangra mais e mais. 


O suicida sente uma vontade imensa de sumir do seu meio, mesmo para as pessoas que ama, uma vontade imensa de evaporar, apagar as lembranças de todo mundo e ir embora. Já ouvi gente dizer que uma das maiores vontades era ter amnésia, para poder recomeçar do início. O problema é quando a vontade de sumir ultrapassa a vontade de viver. 

Quase sempre o suicida dá sinais de alerta, como um naufrago em uma ilha, mas quase sempre é ignorado, ou passado despercebido, a família chama esses sinais de aborrescência, falta de deus, apenas uma fase, até que seja tarde demais para perguntar. Ou simplesmente a relação familiar já está tão prejudicada, que mesmo quando alguém percebe os sinais já não existe mais uma forma delicada de abordar o assunto. 

Infelizmente as razões que levam uma pessoa ao suicídio são variadas, por isso não é tão simples sabermos como agir em situações como essas. Auxílio psicológico em países emergentes não é considerado prioridade, nem mesmo pelos pacientes, o que só piora a situação, fazendo com que profissionais da área psiquiátrica sejam desvalorizados e pacientes sejam desencorajados de procurar ajuda, mesmo que caso esse cenário fosse diferente talvez esse número diminuísse drasticamente.