terça-feira, 18 de outubro de 2016

Síndrome de Down é normal!!



Há alguns anos em um debate na sala de aula um de meus professores levantou uma questão para a qual quase ninguém estava preparado “Como você reagiria ao ter um filho com síndrome de down”, onde tivemos opiniões divergentes, mas nenhuma com embasamento, na hora eu nem dei a relevância que o assunto merecia, só sabia que eu não queria ter e apresentei alguns argumentos pobres, que não foram contra argumentados e tampouco o professor usou a oportunidade para nos aprofundar sobre esse tema. 


Esse assunto ficou adormecido e não veio à tona por longos dois ou três anos até eu ter a oportunidade de conhecer duas pessoas com a síndrome e perceber que, para minha surpresa, eles são pessoas normais e capazes de seguir suas próprias vidas de maneira independente.

Essa foi minha grande surpresa, pois a imagem que eu tinha de uma pessoa com a síndrome era simplesmente de uma eterna criança que jamais conseguiria seguir com a sua vida sem o auxílio de alguém.
Enquanto observava esses dois rapazes e uma menina, também com a síndrome, percebi o quão pobre eu fui em minha maneira de agir, falando sobre um assunto o qual desconhecia com propriedade, espalhei o preconceito que tantas vezes condenei nesse blog, talvez essa seja a prova definitiva de que a mãe da intolerância seja a ignorância.  O melhor é ver pessoas repetindo o mesmo discurso que eu um dia usei como se ele fosse verdade, mas a culpa não é delas, da mesma maneira que não era minha, o tema não chega até nossas casas, quando pessoas com síndrome de down são retratadas elas são sempre infantilizadas, coisa que não é verdade, e agora eu sei.

Trazendo novamente à tona a frase que eu citei ainda a pouco “A ignorância é a mãe da intolerância” a melhor coisa que posso fazer para retratar meu erro é simplesmente passar à frente o conhecimento que adquiri e compartilhar as experiências que me fizeram repensar sobre a imagem que eu tinha sobre os portadores da síndrome.

Alguns mitos e verdades sobre a síndrome:

A Síndrome de Down Bloqueia o Amadurecimento:

A infantilização do Down costuma ser estimulada pela família e por pessoas próximas, que o tratam como criança. Se houver estímulo a viver em sociedade, frequentando uma escola regular, com mais opções de lazer, ele pode ter um desenvolvimento adequado para a vida independente. O que ocorre é um atraso no amadurecimento, tanto sexual quanto comportamental, mas não um bloqueio.

Pessoas com Síndrome de Down podem trabalhar:

Verdade, as pessoas com síndrome de down, assim como qualquer outra, podem e devem trabalhar, pois isso ajuda no amadurecimento, desenvolvimento pessoal e financeiro, além de realização própria. 

Criar uma criança com Síndrome de Down é caro:

Sim e não, criar qualquer criança é caro e trabalhoso, uma criança com qualquer tipo de síndrome pode realmente ser mais difícil por conta do cuidado constante com médicos, fisioterapeutas e outros profissionais, mas graças ao SUS grande parte desses tratamentos estão disponíveis gratuitamente infelizmente com a PEC241 não sabemos por quanto tempo 

Outro assunto que eu raramente vejo ser tratado quando é falado sobre pessoas com síndrome de Down na TV é a sexualidade, mas queira os conservadores ou não, pessoas com SD transam, e podem ser felizes sendo sexualmente ativas.

O ponto inicial para a sexualidade de pessoas com SD ser tão pouco comentada começa primeiramente pelos pais enxergarem seus filhos como eternos bebês assexuados e não incentivarem a busca dos mesmos por um(a) namorado(a), ou em alguns casos até mesmo amigos, porém, assim como a maioria das pessoas, os portadores da síndrome passam pela puberdade por volta dos treze anos de idade, e logo começam a se interessar pelo seu corpo, sua aparência, namoros, e assuntos relacionados a sexo, e por falta de informação, já que na maioria dos casos a família não consegue tratar do assunto abertamente, adquirem hábitos sexuais socialmente inadequados como, por exemplo, se masturbar na presença de outras pessoas, esses hábitos se não forem corrigidos de maneira adequada podem acarretar em uma inibição desnecessária da sexualidade do indivíduo, e essa inibição forçada da sexualidade ajuda ainda mais na perpetuação da idéia de eternas crianças, tanto aos olhos da família, quanto aos olhos da sociedade, além de dificultar o amadurecimento dessas pessoas, porém para contrariar esses pensamentos há histórias reais de diversos casais com SD que formaram uma família feliz, exatamente do jeito que são.

Por fim, a moral da minha história fica aí com vocês, pensem antes de falar, porque vocês podem estar falando um monte de bosta sem saber.