segunda-feira, 28 de novembro de 2016

Poema: Apatia



Eu não sou ninguém
Eu não sinto nada
Ponho um pé na frente do outro
Eu sigo a estrada

Eu não amo um deus
Eu não amo um amante
Eu nem bebo mais refrigerante

O meu Mario foi esmagado pelo Bowser
Minha Kitana foi morta pela Sindel
O meu Carl Jhonson cansou da vida
Agora é só um gordo que vende pastel

Não há mais livros na minha estante
Acabei de reparar que ainda têm os que eu havia lido antes
Ao menos Holden me compreende
Mas, quem quer saber da morte da Severina? Me entende?
Minha igreja não me aceita
Eu não quero mais eles
Minha família não me respeita
QUEM SÃO ELES??
Meu cachorro sumiu, ou morreu...
Ele foi o único que me mereceu

As músicas não descrevem mais minha alma
Os poemas não retratam mais minha dor
Meus beijos não trazem mais em si o amor
No sexo não sinto mais calor

Na miséria não existe mais empatia
Na glória não existe mais orgulho
Durante uma partida não há mais dor
Nem mesmo o diabo é capaz de me trazer algum tipo de temor
Sequer Jesus conseguiria explicar o que vivo
Nem Diana poderia diluir meu sofrimento
Quem é Buda pra me acalmar?
O próprio Zeus, senhor dos céus, não teria coragem de me parar

Vejo caveiras dançando
Vejo o fim que se aproxima
Bem ali há uma navalha virando
E por fim, como era esperado, eu morri e não foi como soldado.