quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

Análise: Xenoblade Chronicles X



Eae gamers do mundo, estou aqui hoje para postar uma análise bem pessoal de um jogo que me agradou. Na verdade o jogo nem é tão novo assim, ele já tem quase um ano, mas senti necessidade de compartilhar isso então, vamos lá.

Xenoblade Chronicles X é um JRPG desenvolvido pela Monolith Soft em parceria com a Nintendo e lançado em 2015 exclusivamente para o Wii U. O jogo se passa no futuro onde a terra foi destruída durante uma guerra entre duas facções alienigenas, e basicamente é isso que o jogador sabe do jogo até o capitulo cinco, onde as coisas começam a ficar um pouco mais claras para nós. 

Grande parde do jogo é voltado para a exploração de Mira, o planeta onde os humanos agora vivem, sendo que Mira é dividida em cinco continentes com caracteristicas únicas, tanto climáticas quanto em construções ou até mesmo na própria fauna. É interessante a maneira que o jogo explora o tamanho gigantesco do mapa, fazendo com que você seja praticamente obrigado a conhecer cada pequeno pedaço do mundo ao longo das quests, infelizmente esse traço de explorador trouxe para o game algo que pode ser um ponto positivo em alguns games, mas não foi o caso de xenoblade, que é a falta de linearidade, ou seja, o jogo não te apresenta tão bem a história quanto ele te apresenta o mundo, é comum que por diversas vezes você entre em um capítulo da campanha principal onde um personagem secundário é destaque e você sequer o viu alguma vez na sua vida, isso porque eu completei o modo história com 99 horas de gameplay, então não podemos dizer que eu fui apressado nesse quesito. As affinity missions que são consideradas missões secundárias de grande relevância são tão relevantes para o enredo quanto o próprio capítulo, mas o game não faz o mínimo esforço para que nós saibamos que ela foi liberada, ou então que deveriamos fazer aquela missão naquele capítulo o que acaba por deixar a história com mais pontas soltas do que ela já trás.

Outro ponto que me deixou incomodado durante o avanço da história foi a falta de relevância do nosso personagem, somos apenas uma mera testemunha de um evento grandioso, está claro desde o começo que a grande protagonista da história não somos nós, mas sim a Elma, que é quem realmente importa, na verdade não encontrei sequer um ponto que fizesse o nosso personagem um integrante tão relevante do “Team Elma” e não apenas mais um blade qualquer, apesar de eu gostar de montar meus personagens com minhas características creio que controlar a Elma seria muito mais imersivo para os jogadores.

Ao menos chegamos agora em um ponto positivo inquestionável do jogo, os personagens. Todos os personagens relevantes do game, o que infelizmente não nos inclui, tem a personalidade muito bem trabalhada, a começar pela Elma que apesar de ser racional também comete seus deslizes emocionais, partindo pela Lin e Tatsu que geram o alivio cômico perfeito durante a história e até para o nosso anti herói que eu prefiro não dizer o nome para evitar spoilers, nenhum deles é o herói perfeito imbatível como costumamos ver em animes e outros JRPG’s o que gera, por algumas vezes, situações onde o inimigo não é um vilão, mas sim um “man vs self”, onde um dos personagens tem que lutar contra seus próprios sentimentos, medos ou arrependimentos. 

A personalidade das personagens trouxe para o game um tom maduro na narrativa, onde as batalhas ocorriam em um terreno abstrato, e não parou por aí, o game carrega em si diversas criticas sociais rodeando desde intolerância religiosa, racial e xenofobia de diversos tipos, além de trazer “sacadas mitológicas” que só podem ser entendidas por quem têm algum conhecimento prévio sobre a religião e mitologia que foi satirizada no momento, apesar de ter pego diversos desses momentos, tenho certeza que deixei passar vários e se fôssemos pesquisar mais a fundo no roteiro provavelmente iríamos encontrar uma infinidade de outros momentos como esses.

Partindo para o ponto de vista de gamer, onde a jogabilidade é o ponto mais relevante, posso dizer que nesse aspecto Xenoblade X quase não pecou, o game tem um sistema de combate muito estratégico principalmente no chão, utilizar os Skells pode acabar facilitando demais a vida do jogador e inclusive tirando a graça de certas batalhas, creio que faltou inimigos a altura do Ares 90, que mesmo quando não é o bastante para matar um Tyrant quase sempre o deixa dilacerado a beira da morte. O sistema de batalha no chão quase se safou desse desbalanceamento até descobrirem o “Blossom Dance”, habilidade extremamente mais poderosa que as disponíveis em outras classes. Particularmente eu evitei utilizar o Blossom Dance pois acho que uma luta no chão deve ser estratégica e não resumida a ignorar todas as defesas do inimigo, mas para os fãs de LongSword isso acaba ficando quase sempre como main art da build. 

O gráfico do game é lindo, fora de questão julgar esse aspecto, apesar de não impressionar tecnicamente a arte do cenário é algo a frente de seu tempo, podemos ver isso nas ScreenShots do game onde é quase impossível tirar alguma que não mereça virar wallpaper do seu computador, infelizmente o designe dos personagens não acompanhou essa perfeição trazendo poucas expressões faciais ou tornando-as bizarras e inclusive atrapalhando a imersão em algum momento dramático da trama.

E por fim, mas não menos importante, temos o multiplayer de Xenoblade que me lembrou um pouco o multiplayer de Dragons Dogma, ou seja, uma verdadeira decepção, o dialogo com outros players é complicado, isso quando você consegue encontrar alguma partida online, e mesmo que encontre o único objetivo vai ser fingir que está jogando com outro npc e quebrar o telethia em pedaços para diminuir o tempo de farm dos seus tickets. Infelizmente tanto Dragons Dogma quanto Xenoblade casariam muito bem com um Multiplayer bem explorado, pois os dois games tem uma pegada de MMO que instigou os players para essa modalidade desde que o game foi apresentado, mas nem a Nintendo/Monolith e nem a “Crapcom” souberam aproveitar esse aspecto do game.

Eu acredito que avaliar um jogo não é uma tarefa simples de se fazer porque estamos lidando com projetos diferentes, feitos para públicos diferentes e com complexidade diferentes, por exemplo, é muito mais simples desenvolver um jogo de futebol ou um guitar hero perfeito do que desenvolver algo no nível de Elder Scrolls ou Xenoblade, chega a soar injusto oferecer um 10/10 a um game como fifa e 8/10 para um jogo como xenoblade, visto a complexidade de cada game, se eu fosse avaliar Xenoblade por seus aspectos positivos e negativos eu colocaria 7/10, simplesmente porque ao mesmo tempo que ele acerta ele erra, não teve nenhum aspecto do jogo perfeito, mas todos chegaram bem perto disso, agora se formos levar em consideração a ousadia dos desenvolvedores e o porte do projeto temos que pensar que o resultado final foi algo muito bom, apesar de não ser perfeito.

Por fim, acredito que um 8 seja uma nota justa, já que o “limiar de perfeição” que Xenoblade teria de alcançar para receber uma nota 10 só foi visto em alguns jogos da franquia The Legend of Zelda, que eu julgo ser um jogo com nível de complexidade à altura de Xenoblade e outros grandes RPG’s que temos pelo mundo a fora. 


0/10 too much Tyrants

¯\_(ツ)_/¯