segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

Até que ponto pensar é bom?



“Sarah é bela, mas apenas quando chora”. Ser a única espécie racional da qual se tem conhecimento é realmente uma benção? Qual é o ponto em que o saber deixa de ser uma vantagem evolutiva e se torna um veneno? 

O niilismo nasceu como um movimento de desprezo dos valores, mas o sentimento niilista de vazio está vinculado a existência humana desde quando se tem registros, esse sentimento foi a causa da criação de religiões e de mundos etéreos que retirem a insignificância do que sentimos, mas até que ponto conseguimos nos enganar? Abrir mão de uma fantasia e encarar as coisas nuas e cruas pode ser um erro, pode ser a morte para algumas pessoas.

Perdemos o sentido do que é ser apenas nós mesmos, um cão olha pra Lua como um deus, ele não sabe quem ou o que é a Lua, mas sabe quem é ele mesmo, o homem olha pra tudo ao seu redor com o poder de decifrar cada pedaço de cada coisa que atravesse o seu caminho, exceto a si mesmo e aos seus semelhantes, será que essa foi uma troca válida? 

Passamos tanto tempo procurando o nosso objetivo no mundo exterior que não conseguimos mais sentir apenas, parar de raciocinar e simplesmente se jogar na selva como um lobo, retornar aos seus instintos quando necessário, ouvir o chamado do deus que vive dentro, ouvir o chamado da carne, ou talvez esperar mais um traço da evolução e abandonar as necessidades primitivas.

Essa busca incansável por uma forma de vida superior que possa sanar nossas duvidas, a espera milenar pelo messias que trará as respostas, elevar a mente para arrancar as respostas do universo, nada disso funciona, desde sempre estivemos sozinhos e ao que tudo indica vamos continuar sem respostas, sem salvadores, sem deus. 

As pessoas alertam com tom de temor sobre um apocalipse que todos na verdade aguardam ansiosamente, mesmo a pior das catástrofes seria ínfima comparada as respostas que isso traria, qualquer coisa é melhor que permanecer na inercia em que nos encontramos. “Não existe mais o que explorar, tudo já foi descoberto” 

Até que ponto vamos conseguir sobreviver suprimindo quem somos em pró de uma economia, em pró dos valores sociais, em pró da igreja, até que ponto vamos aguentar antes de surtar todos juntos e cortarmos as gargantas uns dos outros?