segunda-feira, 3 de abril de 2017

Poema: Um versinho ou dois




Eu nunca te vi
Não posso dizer que te conheço
Sei que não te mereço
Sei que não sou nada

Mas não me aborreço
Vivo o que mereço
Por não por o pé na estrada

Levanto-me todas as manhãs
Como se estivesse num divã
Coloco um sorriso no rosto
E tenho fé que estou disposto

Lembro que nunca te vi
Lembro que não te conheço
Fecho os olhos, lembro que não te mereço

Deito, já é de madrugada
Hoje, novamente, não fiz nada
Leio algo para dormir
E penso no quão é triste existir

Lembro do porque não te mereço
Lembro que não te conheço
Lembro que, só ameaço, não aconteço
Se não sou feliz comigo
Como serei com alguém
Não existe tampa para meia frigideira
Sei que pareço frio como uma geladeira

Mas caso se lembre de mim
Lembre-se que estou esperando
No mesmo quarto barato de antes
Com saudades
Pensando e te desejando

Essa é uma aflição de espírito
Como frutas no deserto
Como um amor correspondido
Como um beijo
Como um olhar cumprido

Eu nasci pela metade
Essa é a verdade
Não sou perfeito
Mas sei que sou bom de algum jeito

Lembro do quanto ajudei um amigo
Lembro que uma vez, de bom grado, doei um sorriso
Lembro de madrugadas em claro
Preocupado com todos e com ninguém
Lembro de um beijo roubado
Daquela vez fui desejado por alguém
Lembro de como sorri desajeitado
E lembro-me de como tentei ser educado
Lembro do quanto foi engraço
E no fim, por algum tempo, ganhei um namorado

Lembro da minha avó
Queria ter sido mais legal
Mas prefiro não entrar nesse assunto
Infelizmente, nessa história, o tempo colocou ponto final

Lembro de meus irmãos
E de como planejamos ser unidos para sempre
Triste engano
Hoje, somos apenas “fulano”

Lembro da minha cadela
Branca e amarela
Era o ser mais lindo do mundo
Mas fugiu
Talvez a dama tenha encontrado seu vagabundo

No fim, quando eu morrer
Posso ser castigado
Mas não vou me culpar
Sei que não sou perfeito
Mas acredito que basta tentar

No fim lembro que não te conheço
Lembro que não te mereço
Lembro que não fez nada por mim
Mas, de repente, isso não é mais tão relevante assim...

Lembro do porque me mereço
Lembro que me conheço
Lembro que isso pode não ser tudo
Mas é o bastante para dizer
“Agora eu aconteço!”