terça-feira, 16 de maio de 2017

E o cristianismo?




Hoje em dia não é muito comum que alguém assuma que não é cristão, ao menos fora da internet isso ainda é bastante repreendido. No máximo o que costuma ocorrer é a famosa frase “Eu não tenho certeza”. Pode ser realmente que a pessoa que expressou essa frase não tenha certeza, mas existem diversos casos de que a pessoa simplesmente não quer ser repreendida por não ter a mesma fé que a maioria. 
 
Não estamos mais na idade média, e, na maior parte dos casos você não vai ser assassinado por dizer que não é cristão, mas você pode sofrer graves consequências a respeito disso. 

Um dos motivos pelo qual as pessoas ainda agem de maneira esquisita quando alguém se diz assumidamente ateu é porque essa pessoa “é capaz de qualquer coisa”, afinal, ela não acredita que será punida após a morte. Vamos abrir umas aspas nessa questão, caso você pense assim eu recomendo que você reconsidere, afinal, se a única coisa que te impede de cometer um assassinato são as chances de você ir para o inferno você não é alguém com a moral tão boa quanto pensa. 

Também já ouvi gente dizer que a única razão para alguém decidir ser ateu é para não se sentir culpado pelos seus pecados. Sobre isso eu não preciso falar muito, basicamente quem é ateu não acredita em deus, ou diabo, ou Buda, Shiva, Alah, Vishnu, Cernunnos, Belial, ou qualquer outra divindade, então se determinada ação como, por exemplo, comer porco ou manter relações sexuais com alguém do mesmo sexo, não fizer mal para ninguém, nós, ateus, não consideramos isso errado ou pecado.

Agora vou falar sobre minha experiência, basicamente eu nasci em família evangélica, mas desde que entrei na escola comecei a levantar questões que a igreja não estava preparada para me responder, ou, em alguns casos, não queria me responder, e era repreendido até mesmo por perguntar. Consegui conviver com isso, mesmo com minhas duvidas até, mais ou menos, os meus quatorze anos, quando eu me descobri homossexual. Essa foi uma fase bem difícil de conflito interno, afinal, o que era passado pra mim era que homossexuais eram homens e mulheres promíscuos e doentes, pecadores, estupradores, perturbados, e problemáticos. Levei isso como verdade para mim até pelo menos os meus quinze anos e meio, que foi quando eu conheci outros homossexuais, e pasmem, eram pessoas normais, acabei me aceitando por consequência disso, e não parei por aí, comecei a ir atrás de outros preconceitos meus, afinal, sobre o que mais eu poderia estar errado? Foi então que eu conheci o canal da Drag Queen mais maravilhosa do mundo, Lorelay Fox, e essa pessoa abriu meus olhos para um mundo que eu não estava acostumado, mas percebi que era real, e não era nojento como me disseram. No fim, com todas as duvidas que eu já tinha, e agora estando oficialmente na categoria de um renegado familiar e religioso aceitei meu posto e reneguei também o lugar de onde vim, minha igreja, e as crenças familiares, não é algo fácil, mas foi algo necessário, não faria sentido continuar em uma religião que me fazia mais mal do que bem. 

Sobre a religião em si, posso ter pego um pouco de raiva, e até me culpo um pouco por isso, mas não é algo que eu possa controlar, talvez com alguma terapia, mas meio que culpo a igreja por parte do caos que vivi, e ainda vivo, penso como seria minha relação familiar caso eu não tivesse nascido em um reduto católico como o Brasil, mas sim em um país predominantemente ateu como a Noruega, ou qualquer outro lugar, penso que talvez eu seria melhor aceito. Enfim, tudo poderia ser diferente, ou não, mas não consigo ter fé em algo que me fez, e ainda faz, tão mal.